Todas as noites tenho um ritual mágico de saber-te.
Todas as noites encaro a minha face no espelho
e o que vejo és tu. Só tu no meu olhar.
Todas as noites abraço o corpo nu
e esqueço o teu nome espalhado na minha cama
enquanto na rádio tocam novas músicas.
Todas as noites aprendo uma nova forma
de te recordar e em seguida te esquecer.
Todas as noites...são tuas.
São horas de prender os olhos no tecto
e rever a tua imagem vaga.
Todas as noites...são de amor.
Dorme meu menino a estrela d'alva
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada
Outra que eu souber será p'ra ti
Outra que eu souber na noite escura
Sobre o teu sorriso de encantar
Ouvirás cantando nas alturas
Trovas e cantigas de embalar
Trovas e cantigas muito belas
Afina a garganta meu cantor
Quando a luz se apaga nas janelas
Perde a estrela d'alva o seu fulgor
Perde a estrela d'alva pequenina
Se outra não vier para a render
Dorme qu'inda a noite é uma menina
Deixa-a vir também adormecer
Não pode Amor por mais que as falas mude
exprimir quanto pesa ou quanto mede.
Se acaso a comoção falar concede
é tão mesquinho o tom que o desilude.
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Busca no rosto a cor que mais o ajude,
magoado parecer aos olhos pede,
pois quando a fala a tudo o mais excede
näo pode ser Amor com tal virtude.
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Também eu das palavras me arreceio,
também sofro do mal sem saber onde
busque a expressão maior do meu anseio.
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E acaso perde, o Amor que a fala esconde,
em verdade, em beleza, em doce enleio?
Olha bem os meus olhos, e responde.
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